Carta Aberta
Têm dias que acordar é um peso. Abrir os olhos, levantar da cama, tomar um café, fingir que tudo está bem enquanto a gente faz as tarefas mundanas, pra não deixar quem está perto preocupado. Pelo menos para mim as coisas são assim a muitos anos. São raros os momentos de felicidade plena. E são sempre rápidos e passageiros. Porque logo em seguida se instala aquela sensação de que eu não sou digno. Desde muito cedo essa sensação de falta de “indignidade” me persegue. Deixa eu explicar melhor o que é isso. É essa sensação de que você não merece nada de bom que te acontece, que você não tem méritos, que você está enganando quem está perto, e que alguma hora eles vão perceber o grande embuste e a pilha de bosta fumegante que você é e vão te dar um pé na bunda se perguntando como foram capazes de ficar tanto tempo perto de alguém assim. E com isso você se afasta, porque paradoxalmente você quer estar perto das pessoas que ama, mas também não quer deixar elas muito perto, pra não ...